Audrey Niffenegger é uma artista visual que escreve romances ou uma escritora que pinta, desenha e ama lecionar? Ela própria tem dificuldade para se definir, até porque considera as duas atividades complementares. O fato de ser desenhista lhe permite visualizar os livros que pretende escrever. A destreza vira ferramenta útil na criação. The Time Traveler"s Wife, literalmente A Mulher do Viajante do Tempo, fez história quando Audrey recebeu o maior adiantamento pago pela editora Macadam/Cage para um autor. O livro fez sensação, seus direitos foram adquiridos para o cinema e ele chega agora às telas com o título de Te Amarei para Sempre.
Trailer de Te Amarei para Sempre
O nome de Brad Pitt está tão grande nos cartazes que é bom ir logo dizendo que o astro de Bastardos Inglórios é só o produtor. Num certo sentido, o filme parece um desdobramento, até um subproduto, de O Curioso Caso de Benjamin Button, de David Fincher. Eric Bana faz o homem que sofre de um distúrbio genético que o leva, compulsivamente, a viajar no tempo. Rachel McAdams é a mulher que o vê ir e vir de maneira muitas vezes inesperada. Eles se conhecem quando ela ainda é uma criança. O tempo vira, a partir daí, experiência relativa - ele pode, afinal, retornar em diferentes momentos da trajetória da mulher amada.
Robert Schwentke é o diretor. Foi o cara que fez Plano de Voo, com Jodie Foster. O livro é cult até pela complexidade de seus pontos de vista - Audrey o relata ora pelo ângulo do viajante do tempo ora pelo de sua mulher -, mas principalmente pelo detalhismo quase científico de tudo o que está ocorrendo. Schwantke põe ênfase no romance, tipo Em Algum Lugar do Passado - lembram-se do cult de Jeannor Szwarc com Christopher Reeve? De alguma forma, ele dilui a força do livro, mas Te Amarei para Sempre, até pelo título, leva jeito para seduzir os românticos.