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Google Earth é usado em ajuda humanitária no Haiti

Imagens de satélite auxiliam ONU na distribuição de alimentos e formação de campos de refugiados

Segunda, 06 de Fevereiro de 2010, 00h00
Jamil Chade, correspondente em Genebra

Nas salas de comando das operações humanitárias da ONU, fotos de satélites ajudam as equipes a organizar seus trabalhos no Haiti. Em Genebra, Porto Príncipe, Washington e Nova York, uma parte importante desse material é fornecida por Google Earth, Nasa e outras entidades que colocaram à disposição seus serviços. Se a falta de organização ainda está afetando a distribuição de alimentos ou abrigos, os técnicos garantem que não é por escassez de informações.

Funcionários das entidades internacionais admitem que, pela primeira vez, um desastre natural está sendo acompanhado quase que simultaneamente por fotos de satélite, que ajudam médicos ou engenheiros a planejar os próximos passos.

Aviões sobrevoam quase diariamente a capital do Haiti para fornecer imagens para as equipes. A ideia é que, de qualquer lugar do mundo, especialistas possam analisar as fotos e tomar decisões sobre os lugares mais adequados para a construção de acampamentos para desabrigados e identificar onde estão as pessoas que deixaram a capital. Algumas fotos são tão nítidas que é possível ver pessoas caminhando nas ruas.

Na Organização Mundial da Saúde, imagens distribuídas pelo Google Earth estão ajudando as equipes a mapear quantos hospitais ainda estão de pé e onde. "Oferecemos essas fotos, em alta resolução, como uma nova ferramenta para a ajuda humanitária", afirmou ao Estado France Lamy, responsável pelo projeto da empresa americana no Haiti.

A cooperação já vinha ocorrendo de modo informal no início da crise. Mas agora as entidades fecharam um acordo para uma troca de informação sistemática. O Banco Mundial admite que reduziu pela metade o tempo necessário avaliar as necessidades do Haiti por conta da tecnologia.

A empresa que comanda os satélites, a GeoEye, também confirma o esforço para posicionar os equipamentos com câmeras voltadas para o Haiti para garantir resultados precisos em suas fotos. Segundo funcionários da sala de operações na ONU, em Genebra, as primeiras imagens chegaram no dia 13, um dia após o terremoto.

Com a presença de soldados americanos no Haiti, a ONU sabe que também pode contar com a ajuda de Washington. No entanto, segundo os funcionários da organização, em muitos casos a liberação da imagem leva alguns dias, o que nem sempre é prático.