Desde ontem a Hypermarcas passou a ser dona de cerca de 45% do mercado brasileiro de preservativos, que movimenta por ano R$ 300 milhões. Em dois contratos assinados na mesma hora, em salas separadas, a empresa comprou as operações da Jontex, da Johnson & Johnson, e da Olla, da empresa brasileira Inal.
A Hypermarcas pagará US$ 101 milhões pela Jontex e US$ 107 milhões pela Olla, num total de US$ 208 milhões. A Johnson receberá o pagamento à vista. No caso da Inal, dois terços serão pagos agora e o restante será parcelado em cinco anos.
O principal cliente do mercado nacional de preservativos é o governo federal, que compra por ano cerca de 400 milhões de unidades. O varejo absorve em torno de 300 milhões de unidades. Claudio Bergamo, presidente da Hypermarcas, acredita que este é um segmento promissor. Ele se baseia no uso ainda muito baixo de preservativos no Brasil. O japonês consome dez unidades per capita/ano, o grego usa oito unidades, o americano compra 4,5 unidades e o brasileiro apenas 1,7 preservativo por ano.
"Parte da nossa estratégia será investir muito no potencial nacional. Queremos aproveitar esse novo momento em que o País vive, com melhora da educação e do poder aquisitivo. E o principal caminho será investir em uma linha de publicidade educativa para divulgar a importância do uso de preservativos", explica Bergamo.
O valor mais alto pago pela marca Olla tem a ver, segundo o executivo, com o ativo fabril, localizado em São Roque (SP). A planta é moderna e utiliza no momento apenas 30% da capacidade de produção. Já a fábrica da Jontex é antiga e a tendência, com o passar dos anos, é que a produção de preservativos da Hypermarcas se concentre apenas na planta da Inal.
De acordo com o presidente da Hypermarcas, a fábrica da marca Olla tem condições de triplicar a produção sem que seja necessário fazer um grande investimento.
A operação brasileira de preservativos da Johnson era a única no mundo e, para passar o negócio adiante, a multinacional abriu uma espécie de concorrência para receber e avaliar outras propostas. A Hypermarcas foi a única companhia brasileira a se interessar pela aquisição da Jontex. Há anos a marca não vinha sendo bem aproveitada pela empresa, explica Bergamo.
O executivo não acredita que as aquisições enfrentarão dificuldade nos órgãos oficiais que avaliam as condições concorrenciais no Brasil, como o Conselho de Administração de Defesa Econômica (Cade). "Esta é uma indústria globalizada e o Brasil corria o risco de ficar de fora se a Johnson não vendesse a empresa para a Hypermarcas, um grupo nacional. As aquisições fortalecem um setor fragilizado, que poderia desaparecer. Fomos de encontro ao discurso do governo de defesa da indústria nacional", argumenta.
A compra da Jontex não é a primeira experiência da Hypermarcas com multinacionais. A empresa já negociou com a Revlon, de quem adquiriu a Bozzano, comprou a Assolan da Unilever e a Fin do laboratório Boehringer Ingelheim. Também não é a primeira vez que a Hypermarcas fecha dois negócios no mesmo dia. No ano passado adquiriu na mesma data a Bozzano e a New Look.
Na semana passada a Hypermarcas anunciou a compra da empresa PomPom, pela qual pagou R$ 300 milhões. Em setembro, adquiriu a empresa Hydrogen, do Grupo Silvio Santos.
Depois dos mais recentes negócios, a companhia ainda tem, segundo Bergamo, por volta de R$ 500 milhões em caixa para outras compras. "Já cumpri a meta deste ano, que era de quatro aquisições. Se vou passar a meta? É claro que eu quero. Tudo é possível", diz o presidente da companhia.