O alagoano Jonathan de Souza Santos é um dos mais novos fenômenos do esporte paraolímpico nacional, pródigo de talentos como Daniel Dias, Antônio Tenório, Clodoaldo Silva, Adria dos Santos, entre outros. Aos 19 anos, o atleta está sendo preparado para ser mais um forte candidato à medalha de ouro pelo País nos Jogos de Londres. Literalmente. Com apenas três anos de treino, Jonathan, que sofre de nanismo e tem 1,38 metro, já é o recordista mundial do lançamento de disco e do arremesso de peso na categoria F-40 com respectivamente, 36,81 metros e 11,42 metros. "Já bati seis recordes mundiais."
A baixa estatura jamais tirou a motivação de Jonathan em se dedicar ao esporte ? nem o senso de humor. "Quando criança eu queria jogar basquete, mas por razões óbvias não dava: eu era muito menor que meus amigos", brinca o atleta, que tem outros casos de nanismo na família, como o tio. Mais sério, o alagoano explica que sempre gostou de esportes e, no início, encontrou no surfe e no skate uma oportunidade de dar vazão ao seu espírito de esportista. "Sempre gostei de esportes radicais. Adoro adrenalina."
Foi em um dos treinos de surfe que Jonathan conheceu a técnica Valquíria da Silva Campelo. "Ela me viu com a prancha e perguntou se eu não queria treinar atletismo. Fui até o quartel do Exército onde ela treina o pessoal e gostei." O exercício de remar, típico do surfe, foi útil ao atleta, que logo se adaptou às provas de lançamento. Os resultados apareceram tão rápido que o atleta fez a estreia olímpica menos de dois anos depois do início dos treinos, em Pequim/2008. Terminou em quinto no arremesso de peso. "Na época eu só treinava o lançamento do disco e, como não abriram disputa na minha categoria, resolvi arriscar no (arremesso de) peso." O jovem que se incomodava com a reação das pessoas na rua dizendo que era pequeno ou "cabeçudo" teve uma experiência totalmente diferente. "Não tive medo, mas deu uma tremedeira nas pernas logo que entrei no estádio e vi 98 mil pessoas. Foi demais." Tão bom que Jonathan pretende repetir a dose em 2012.
"Meu foco é o Mundial na Nova Zelândia, ano que vem." Para isso, trabalha duro. "Treino sete horas por dia. De manhã eu faço musculação, à tarde treinamento de campo." A estrutura de trabalho é modesta, assim como a ajuda de custo. "Nunca recebi um centavo de prefeitura ou do estado, mas uma instituição do Rio, chamada Renovar, me dá R$ 500,00."
O fato de ter se tornado atleta profissional foi importante para a autoestima de Jonathan. "A minha família, que sempre me apoiou, hoje me vê como um exemplo. Acho que é a parte mais legal." O lançador, no entanto, quer ir além e recompensar o incentivo. "Sonho em um dia poder comprar uma casa para minha mãe", revela. Na hora de competir, Jonathan conta que se transforma. "Me sinto um herói, um guerreiro capaz de enfrentar as dificuldades e superar obstáculos em busca de metas, de sonhos." E a torcida brasileira é de que o sonho paraolímpico vire realidade. V.Z.