A violência que assustou o Rio no fim de semana encerrou o período de euforia do governador Sérgio Cabral (PMDB) e de seus aliados pela escolha da cidade como sede da Olimpíada de 2016. A morte de 17 pessoas, entre as quais três policiais, evidenciou a fragilidade da política de combate à violência, marca comum dos últimos governos fluminenses, e retraiu as avaliações de que Cabral havia obtido pontos importantes na tentativa de ser reeleito em 2010. Também deixou clara a dificuldade de se apresentar projeto consistente para a segurança pública, apontada em pesquisa recente como o ponto mais deficiente do governo Cabral.
"As pessoas acharam que a escolha do Rio teria decretado a redenção do governo de Sérgio Cabral, que vai disputar a eleição do ano que vem. Mas duas semanas depois os acontecimentos praticamente anularam esse ganho", diz o cientista político Geraldo Tadeu Monteiro, presidente do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS). Levantamento do instituto realizado entre 18 e 20 de setembro com 2.006 entrevistados no Estado apontou a segurança pública como item mais mal avaliado do governo Cabral, com nota 3,1 (na cotação de zero a dez).
O pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Carlos Eduardo Sarmento diz que um episódio como o do fim de semana em um período eleitoral "seria devastador". No entanto, avalia que, sem um adversário político de peso no Rio que insista na crítica ao governo Cabral, a tendência é de que a repercussão negativa acabe esquecida. "A repercussão é de curto prazo, pois o prefeito Eduardo Paes e o presidente da República são aliados do governador e não vão prolongar essa discussão. A opinião pública quer respostas imediatas, mas começa a perceber que a segurança pública não tem solução milagrosa. Cabral se beneficia da escolha do Rio para a Olimpíada, mas sabe que no boletim de seu governo o controle da violência não tem as melhores notas", diz Sarmento.
Na Câmara dos Deputados, os oposicionistas DEM e PPS emitiram nota pedindo providências do governo do Rio e o PSOL apresentou requerimento na Comissão de Direitos Humanos para audiência pública com o ministro da Justiça, Tarso Genro, Cabral e o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame.
Líder do governo na Assembleia Legislativa do Rio, o deputado Paulo Melo (PMDB) insiste na tese do governador de que as ações dos criminosos são uma reação à política de enfrentamento da violência e que não haverá mudanças "nas operações policiais e nas ações sociais nas comunidades".