Há pouco mais de sete meses, o imóvel de número 190 da Rua José Mascaro, na Vila Jaguara, zona oeste, foi comprado por um homem, aparentemente, oriental, moreno, com sotaque oriental carregado, cabelos escuros e discreto. Ele se apresentava como Mário Mitsui, de 39 anos, natural de São Paulo, e dizia que mandaria buscar a família no Japão, após viver um período como "dekassegui" - brasileiro que passa uma temporada no Japão trabalhando. Depois da compra, o procurado começou a reformar a casa. O telhado do quintal foi coberto e as paredes, pintadas.
A reportagem também apurou que Mitsui pagou pouco mais de R$ 150 mil pela residência - utilizada de fachada para roubar cerca de R$ 20 milhões do cofre de uma transportadora de valores próxima do imóvel. A proposta de compra de Mitsui, no entanto, ficou abaixo do valor pretendido pelos antigos proprietários da residência. Mesmo assim ela foi aceita, afirma Elton Felipe dos Santos, de 22 anos, parente dos ex-proprietários.
À VISTA
Mitsui fechou o negócio à vista. Nos primeiros três meses, teria deixado de pagar as prestações do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) - ainda no nome da antiga dona do imóvel - e foi procurado pela imobiliária. Por não conseguir contatá-lo por telefone, um funcionário da imobiliária teria ido até o imóvel. Recebido por uma mulher, foi avisado que Mitsui se apresentaria para quitar o débito. Dias depois, Mitsui foi até a imobiliária e teria acertado as pendências.
POUCO VISTO
Mitsui, de 39 anos, raramente era visto na rua. Os relatos são de que estava sempre ao volante de um Doblò prata com vidros filmados, geralmente estacionado de ré na garagem. O portão era aberto rapidamente por uma mulher jovem, identificada como Amanda, possível empregada doméstica. Era comum vê-la varrendo a calçada e andando com Fábio, o pedreiro responsável pela reforma da casa.
"Logo que eles se mudaram, colocaram um monte de plantas na frente da casa", lembra uma moradora da rua. A garagem ganhou dois pinheiros e outros quatro vasos de plantas. Eles dividiam o espaço com a casinha cinza do cachorro. A fachada do imóvel estava decorada com um pisca-pisca. Só metade das lâmpadas acendia. A porta de alumínio também recebera um enfeite de Natal.
Das 8 horas ao meio-dia, ouvia-se música alta no imóvel. A movimentação de pessoas concentrava-se no período da noite, assim como os latidos dos cachorros das casas situadas no entorno.