ESTADÃO DE HOJE - 22/01/2010 Versão Impressa
Ver Mais »

MPX investe em porto na Colômbia

Investimento, de US$ 150 milhões, vai permitir o escoamento do carvão que será explorado pela empresa no país

Sábado, 22 de Janeiro de 2010, 00h00
Reuters

RIO
A MPX, empresa de energia do grupo EBX, do empresário Eike Batista, anunciou a compra de uma área de 521 hectares na Colômbia para a construção de um porto, um investimento que deve chegar a cerca de US$ 150 milhões. O porto, de até 20 metros de calado, terá capacidade, segundo a empresa, para exportação de até 20 milhões de toneladas de carvão por ano. A ideia, segundo a empresa, é assegurar uma solução logística para o sistema integrado de mineração da MPX na Colômbia.

Segundo o presidente da empresa, Eduardo Karrer, um novo relatório sobre as reservas de carvão da MPX na Colômbia será divulgado em março, e parte dos recursos de 110 milhões de toneladas de carvão divulgados no ano passado deverá ser incorporada como reserva, assim como mais volumes deverão ser registrados.

Karrer disse que, dependendo do volume de reservas, a MPX pensa em ampliar a estrutura logística para o escoamento da produção, com a construção de uma ferrovia até a mina da empresa naquele país. Se isso ocorrer, a MPX deverá buscar parceiros para o projeto. "Podemos expandir para fazer um projeto otimizado. Com essa aquisição (de um terreno para construir o porto), fechamos os planos do novo sistema da Colômbia, que inclui mina, exportações e sistema logístico", explicou Karrer.

A partir do porto da Colômbia, a MPX levará carvão para a térmica da empresa no Chile, que consumirá 5 milhões de toneladas, e para termelétricas da companhia no Brasil, que deverão demandar até 7,5 milhões de toneladas por ano. "Com isso, temos demanda para de 60% a 70% da produção da Colômbia", disse Karrer. Ele não vê necessidade de captar recursos para desenvolver os projetos da MPX em andamento. No caso da Colômbia, a própria mina pagará o custo da logística.

A empresa começará a ter receita em julho de 2011, quando entram em operação as térmicas Pecém I, no Ceará, em parceria com a Energias do Brasil, e Itaqui, no Rio Grande do Sul. Juntas, as unidades vão gerar receita anual de R$ 490,3 milhões. Em 2013, entrará a terceira térmica em construção da MPX, que vai acrescentar R$ 226 milhões por ano em faturamento.

Apesar de ser o braço de geração de energia elétrica do grupo EBX, a MPX é responsável pela busca dos combustíveis que serão utilizados nas suas térmicas. Além do carvão, a MPX procura gás natural em parceria com a OGX, do mesmo grupo, na bacia do Parnaíba (MA). "Temos umas 300 pessoas trabalhando na sísmica de lá e o segundo poço será furado até maio", disse Karrer. O primeiro poço foi perfurado por outra empresa em 1987, quando foram constatados indícios de hidrocarbonetos.

"Estamos bastante confiantes no segundo poço e a expectativa é de que a licença para a térmica (do Maranhão) saia ainda no primeiro semestre deste ano", disse o executivo. Karrer não vê o licenciamento ambiental como um empecilho para os investimentos, e aposta no uso de tecnologia para abrir os caminhos. "O segredo é a tecnologia de ponta, não pode economizar", afirmou o executivo.