ESTADÃO DE HOJE - 08/10/2009 Versão Impressa
Ver Mais »

Morre Irving Penn, que revolucionou a foto de moda

Segunda, 08 de Outubro de 2009, 00h00
Ubiratan Brasil

Suas fotos traziam uma assinatura que se tornou clássica graças à elegância e ao minimalismo. E, no mundo da moda, poucos eram reverenciados por um trabalho considerado irrepreensível. O americano Irving Penn sempre foi considerado um nome mítico da fotografia, cuja obra influenciou várias gerações. Aos 92 anos, ele morreu ontem, em Nova York, de causa não divulgada.

Penn, que sempre explorou a arte da fotografia e seus desafios, gostava de isolar seus modelos, tirando-os de seu ambiente natural para registrar as imagens em estúdio, utilizando um fundo artificial. Era ali, ele acreditava, que se poderia capturar a verdadeira alma do sujeito, fosse um modelo de moda, fosse o membro de uma tribo aborígine.

"Mesmo que fotografasse alguém duas vezes, jamais o via da mesma forma", observou Peter MacGill, dono de uma galeria em Manhattan que exibiu o trabalho de Penn. "Ele nunca deixou de trabalhar."

De fato, entre 1964 e 1971, Penn executou sete projetos em que registrou uma ampla gama de personagens, desde membros de tribos da Nova Guiné até os hippies de São Francisco. Seu segredo estava em enfrentar desafios, como contestar o tradicional conceito de beleza ao buscar detalhes em objetos nem sempre considerados, como restos de cigarro, frutas podres ou roupa velha. Uma exposição no Museu Metropolitano de Arte de Nova York, em 1977, por exemplo, trazia flagrantes do lixo retirado das ruas da cidade. "Fotografar um bolo pode ser arte", disse, em 1953, quando abriu um estúdio no qual produzia fotos para galerias até há poucos anos.

Penn iniciou sua carreira na década de 1940 como fotógrafo de moda para a revista Vogue. Lá, desenvolveu seu austero estilo de colocar as modelos e os acessórios de moda diante de um fundo simples. A ideia era revolucionária em uma época em que muitos fotógrafos só trabalhavam em complicados cenários, recheados de objetos.

Na década seguinte, começou a retratar celebridades, como Miles Davis, Spencer Tracy, Georgia O"Keeffe e Pablo Picasso. A técnica para conseguir imagens expressivas, explicava, consistia em fotografar o modelo incansavelmente, muitas vezes durante horas, até que ele fosse forçado a baixar a guarda.

COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS