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Investigadores buscam motivos de major para matança em base militar

Problemas psiquiátricos, medo de ser enviado ao front e perseguição religiosa são possíveis razões; 13 foram mortos

Segunda, 07 de Novembro de 2009, 00h00
Gustavo Chacra

Problemas psiquiátricos, insatisfação pela possibilidade de ser enviado ao Afeganistão para lutar ao lado das tropas americanas, perseguição por ser muçulmano e radicalismo islâmico eram algumas das possíveis motivações citadas ontem como responsáveis por levar o major Nidal Malik Hasan, de 39 anos, a matar outras 13 pessoas na base militar de Fort Hood, no Texas, na quinta-feira.

Temendo as consequências do episódio, o presidente dos EUA, Barack Obama, pediu para que as pessoas não tirassem conclusões apressadas. "Não temos as respostas ainda e peço cautela para evitar conclusões antes que tenhamos todos os fatos", afirmou. A Casa Branca não comentou o ataque de um franco-atirador ontem, em Orlando, na Flórida, que deixou um morto e seis feridos (mais informações nesta página).

Hasan escapou dos tiros de outros militares que tentavam conter seu ataque, mas foi atingido pela policial Kimberly Munley. Ele está internado em coma, segundo a rede CNN. De acordo com autoridades americanas, não há condições de interrogá-lo. Por enquanto, as investigações estão focadas no seu histórico pessoal e em suas atividades durante o dia do ataque.

Horas antes de começar a atirar indiscriminadamente contra outros oficiais e civis, o major, vestindo uma roupa típica muçulmana, comprou café e um bolo em uma lanchonete da base, onde vivem 65 mil pessoas, a grande maioria militares que retornam e soldados que embarcam para o Iraque e o Afeganistão. Nas cenas gravadas pelo sistema de segurança, ele sorria e aparentava calma. Outra imagem exibe o major entrando em um carro no estacionamento, com a mesma vestimenta.

O comando militar da base de Fort Hood informou ontem que, em sites voltados para radicais islâmicos, há comentários de uma pessoa com o nome de Nidal Hasan que compara os suicidas islâmicos aos camicases japoneses, defendendo este tipo de ação.

Entidades islâmicas e árabes dos EUA condenaram o ataque de Hasan em comunicados divulgados por internet, em TVs e rádios. Elas disseram que, em vários outros casos de atiradores, não é levada em consideração a origem do responsável. Desta vez, segundo as mesmas entidades, a fé muçulmana e a origem árabe de Hasan estão sendo enfatizadas apenas por preconceito. Nascido nos EUA, o major é filho de um bem-sucedido empresário do ramo de restaurantes que imigrou de uma cidade palestina próxima a Jerusalém há mais de quatro décadas.

INSATISFAÇÃO

Hasan, de acordo com alguns relatos, estaria insatisfeito com sua provável mobilização para o Afeganistão. O major não concordava com as guerras e demonstrava decepção com o presidente Obama. Ele tentou até mesmo pagar de volta ao Exército os gastos com sua educação para poder se livrar do front. Hasan formou-se em bioquímica e, posteriormente, cursou medicina.

Em seu período no Exército, sempre trabalhou como psiquiatra, atendendo veteranos do Iraque e do Afeganistão. As histórias dos pacientes teriam deixado Hasan ainda mais preocupado e contrariado com seu provável deslocamento. Pessoas próximas do major disseram que ele temia sofrer o mesmo estresse dos militares que tratava. Nos últimos anos, depois do 11 de Setembro, segundo sua tia, ele também passou a reclamar do preconceito de colegas pelo fato de ser muçulmano. A família divulgou uma nota lamentando o ataque.