'Ocupe Wall Street' já arrecadou US$ 300 mil

Doações, feitas por meio do site e pessoalmente, são usadas na compra de produtos de higiene e mantimentos; em São Paulo, ocupação continua

Segunda, 18 de Outubro de 2011, 03h06
GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK

No dia do aniversário de um mês do início dos protestos em Nova York contra as grandes corporações, o movimento Ocupe Wall Street anunciou que já arrecadou cerca de US$ 300 mil, além de mantimentos e remédios de diferentes partes dos Estados Unidos e do mundo.

As doações são feitas por meio do site e pessoalmente, de acordo com alguns porta-vozes do grupo, que aos poucos começa a se organizar depois de um estágio inicial de anarquia.

Para evitar criticar os bancos e ao mesmo tempo usá-los para conseguir o dinheiro, o grupo teria aberto uma conta no Amalgamated Bank. Essa instituição diz ser o único banco dos EUA integralmente controlado por sindicatos. O slogan é "o banco do trabalhador americano".

Segundo os organizadores do movimento, o dinheiro tem sido usado para os protestos e compra de produtos de higiene e alimentos. Todos os ocupantes têm direito a refeições gratuitas na Praça Zuccotti, que fica entre Wall Street e o Ground Zero, onde está sendo erguido o novo World Trade Center.

Entidades que se opõem à ocupação acusam o megainvestidor George Soros de estar por trás do financiamento do movimento, que seria usado para fins políticos. Um dos homens mais ricos do mundo, Soros declarou ter simpatia pelo Ocupe Wall Street, compartilha dos mesmos ideais em alguns casos, mas nega algum envolvimento.

O Ocupe Wall Street se descreve como "um movimento de resistência com pessoas de diferentes cores e correntes políticas. A única coisa que todos têm em comum é que somos os 99% que não mais toleraram a cobiça e a corrupção de um 1%". A Primavera Árabe e os indignados da Espanha são as principais fontes de inspiração para eles.

No fim de semana, protestos ao redor do mundo, incluindo São Paulo, usaram o Ocupe Wall Street como símbolo.

No ápice do movimento até agora, os manifestantes dizem que pretendem manter uma ocupação de longo prazo. O risco para eles ainda é uma possível expulsão da Praça Zuccott, que pertence a uma instituição privada chamada Brookfield, apesar de ser uma área aberta ao público 24 horas por dia.

Desde sábado, os organizadores do grupo passaram a estudar a possibilidade de se mudar para a Washington Square. Essa outra praça, no meio do campus da Universidade de Nova York, é maior. Na outra, com a popularização do movimento nos últimos dias, já não há mais lugar para mais pessoas passarem a noite.

São Paulo. Não foi fácil a primeira noite dos acampados do movimento Democracia Real Já, que se concentraram sábado à noite no Vale do Anhangabaú. Impedidos pela polícia de montar suas barracas, os participantes do movimento, que protestam por uma democracia igualitária, onde o poder econômico não prevaleça sobre a vontade da maioria, tiveram de dormir sobre as lonas das barracas, debaixo do Viaduto do Chá, onde se abrigaram da chuva que atinge a capital paulista nos últimos dias.