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''Padre'' nunca ajudou instituição

Falso religioso que age no Araçá usa nome de Centro de Juventude da zona leste para pedir dinheiro de fiéis

Terça, 08 de Outubro de 2009, 00h00
Vitor Hugo Brandalise

A instituição para a qual o "monsenhor" Marcos Rodrigues Fontana afirma doar o dinheiro cobrado pela celebração de velórios no Cemitério do Araçá, na zona oeste da capital, existe desde 1960, mas o local nunca recebeu um único centavo do "religioso". Conforme o Estado revelou ontem, o "monsenhor" cobra entre R$ 50 e R$ 200 pela celebração do rito das exéquias (oração de despedida) e, desde outubro de 2008, cerca de 40 pessoas já reclamaram oficialmente à Arquidiocese de São Paulo, se sentindo "enganadas" por Fontana, que utiliza paramentos da Igreja Católica Apostólica Romana.

A instituição a que Fontana diz repassar os valores cobrados dos fiéis - para "pegar táxi até lá" e "ajudar as crianças da creche" - é o Centro de Juventude da Sociedade Amigos do Bairro Vila Progresso, em São Miguel, zona leste, conforme declaração do próprio Fontana, em sindicância do Serviço Funerário Municipal, iniciada em março. "Ele apareceu uma ou duas vezes e saiu dizendo que é da direção. Mas nunca colaborou conosco", disse o presidente da sociedade, José Leal dos Santos.

O Centro de Juventude, mantido pela sociedade de bairro em convênio com a Prefeitura, atende 260 jovens e adolescentes da região. Leal conta que, em 49 anos de fundação, nunca receberam doação de "sabonetes", "cobertores", "cestas básicas" nem "creme dental" de Fontana, como ele afirmou a funcionários do cemitério, segundo consta na sindicância. Questionado pelos mesmos funcionários sobre o motivo de não levar ninguém para conhecer sua "creche", ele alegava questões de segurança, pois no local estariam abrigados "filhos do PCC".

O Serviço Funerário Municipal abriu ontem outra sindicância para apurar irregularidades na atuação do "padre" no Araçá e suposta participação de funcionários públicos. A permanência fixa de representantes religiosos é proibida nos cemitérios municipais - só podem atuar quando convidados.

No relatório final da primeira investigação, encaminhado ao Ministério Público Estadual, estão anexados dois pedidos de autorização para celebrar missas no Cemitério da Consolação: na primeira, de julho de 2007, o "monsenhor" afirma ser vigário da Paróquia Menino Jesus de Vila Rio. Em outubro de 2007, porém, se declarou vigário da Paróquia São João Evengelista (sic) e Santa Rita de Cássia.

Em depoimentos, funcionários públicos passavam a ideia de serem próximos de Fontana - ele pagou café e corridas de táxi para servidores. Em abril, Fontana também convidou funcionários do Serviço Funerário para uma "festa de Páscoa" na creche em São Miguel, onde seriam oferecidos ovos de chocolate para eles. "Várias pessoas ligaram para confirmar o convite", conta o presidente da associação, José Leal. Os ovos eram destinados às crianças da instituição.

IGREJA REUNIDA

O escrivão policial José Elias Jácomo dos Santos, bispo da Igreja Católica Apostólica Reunida do Brasil (à qual Fontana diz pertencer), afirma que o dinheiro cobrado pelo "monsenhor" para a "creche" também não é destinado à Igreja, dissidente da Igreja Católica Brasileira. "Para nós é que não vai. É coisa dele", disse.

Santos argumentou, porém, que as denúncias contra Fontana são "implicância da Igreja Romana". "Ele diz que é católico, não que é "apostólico romano". Não há problema em prestar o serviço também."

O inquérito que apura denúncias contra Fontana é responsabilidade de policiais do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap), no 23º Distrito Policial (Perdizes).


DO PORTAL

www.estadao.com.br


Você já foi vítima ou conhece alguém que tenha sido enganado pelo falso padre? (A grafia dos posts foi mantida)

Eu e minha família fomos vítimas deste padre na terça-feira passada, no velório da minha avó. É um absurdo saber que existe gente que se aproveita de um momento de dor para poder ganhar dinheiro com isso. A nossa sorte foi que ele não teve coragem de pedir doações a nenhum dos presentes. Mas, mesmo assim, ganhou R$ 180 do meu tio. Espero que ele não saia impune desta barbaridade!

Graziela

Fui vítima desse falso padre 2 x, sendo uma na semana passada, no velório de minha avó... E uma no ano passado. As 2 x dei dinheiro, pois ele pede no final da oração para ajudar a creche da igreja dele. ABSURDO!!!!!!!!!!!!

Roberta Bavaresco

Este sujeito rezou para minha falecida avó e deixou muita gente perplexa com a indiferença e falta de sensibilidade. (...) O pior, muito pior mesmo, são as condições do cemitério, com ossos expostos, túmulos profanados e imundície por todo lado e um serviço de coveiros que beira o cômico de tão atrapalhado.

Maurizio Zelada

Também aconteceu com nossa família, mas ate que a oração que foi feita era bem bonita, e era isto que queríamos naquele momento. Mesmo assim, por tradição, preferíamos que fosse um padre, padre mesmo. Ate consultamos em nossa paróquia e isto já acontece ha bastante tempo. Concordo que o importante é tratar bem em vida.

Celia

Olha, ha um ano meu pai foi velado no Araçá e eu encontrei esse padre no local e pedi a ele que rezasse e encomendasse o corpo. Ele atendeu prontamente e fez um belo discurso. Fiquei satisfeito com o sermão dele e paguei uma quantia que não me lembro bem. Não vi nenhum problema nisso pois ele não me roubou e atendeu as minhas expectativas no sermão. Acho muita hipocrisia ficarem horrorizados com o caso. Ele não roubou ninguém e fez um sermão muuuito melhor do que muito padre por ai. Não tenho nada contra ele e a mim ele não ofendeu. OBRIGADO FALSO PADRE E QUE DEUS TE PROTEJA POIS VC NAO EH ESSE VERME QUE TODOS AGORA QUEREM QUE VC SEJE.

Renato Fulvio Terreri

Eu e minha família fomos vítimas deste falsário no começo do ano. Ele esta sendo processado por estelionato. LAMENTÁVEL!!!

Carlos