Passageiros revoltados com o atraso dos trens no ramal Japeri-Central do Brasil interromperam o tráfego na linha férrea e promoveram quebra-quebra que se espalhou por quatro estações. Uma composição foi incendiada e roletas, bilheterias, alambrados e caixas eletrônicos ficaram destruídos. Onze pessoas se feriram no tumulto. A confusão afetou 30 mil pessoas que utilizam o serviço pela manhã. O tráfego só foi restabelecido às 12h50.
Os passageiros reagiram depois que o trem que seguia de Japeri, na Baixada Fluminense, para a Central do Brasil (centro) quebrou a 100 metros da Estação de Nilópolis. Segundo a Supervia, concessionária que administra os cinco ramais, o conserto levou 12 minutos.
Sem explicação do maquinista, os passageiros forçaram as portas do trem e caminharam pela via férrea até a estação. Revoltados, eles iniciaram um protesto e se recusaram a deixar a linha do trem. "É sempre assim. Há um mês e meio que a gente chega atrasado ao trabalho e a Supervia não dá nenhuma explicação", gritava uma passageira. Para evitar acidentes, o tráfego de trens foi suspenso.
Aqueles que já estavam na estação aderiram ao protesto. A bilheteria foi depredada por pessoas que exigiam o dinheiro da passagem de volta. Catracas foram quebradas e arremessadas na via férrea. Um cofre também foi arrancado e jogado na linha de trem. Em Mesquita, os passageiros se revoltaram porque o trem não podia seguir. Um grupo ateou fogo à composição. Cerca de 40 homens do Corpo de Bombeiros apagaram as chamas. Em Deodoro, dois caixas eletrônicos e equipamentos em que são inseridos os tíquetes foram destruídos. Também houve quebra-quebra nas estações de Nova Iguaçu.
A Polícia Militar reforçou a segurança e o Batalhão de Choque foi chamado para retirar as pessoas que estavam na via férrea, em Nilópolis. Passageiros relataram que houve disparos para o alto, na tentativa de conter a população, em Mesquita. Em Deodoro, zona oeste do Rio, o Exército chegou a ser mobilizado para evitar tumultos na estação, que fica perto da Vila Militar.
Passageiros se queixaram de que não tinham dinheiro para seguir viagem para o centro do Rio. Funcionários da Supervia tentaram entregar vales, mas, diante do tumulto, interromperam o serviço. A concessionária decidiu que hoje as passagens não serão cobradas no ramal até as 10 horas.
Aqueles que deixaram as estações enfrentaram ônibus lotados. Em Mesquita, um veículo da linha 103 (Nova Iguaçu-Cascadura) teve o para-brisa quebrado. A prefeitura de Nilópolis colocou à disposição dez ônibus para levar, gratuitamente, os passageiros até a Estação Deodoro, ramal que permaneceu funcionando.
Para o presidente do Sindicato dos Ferroviários, Valmir de Lemos, o tumulto generalizado já era esperado. "A população está muito revoltada. Foram vários episódios em que os passageiros se sentiram agredidos pela Supervia." Em abril, seguranças foram flagrados batendo nos passageiros com uma espécie de chicote, a fim de obrigá-los a permitir o fechamento das portas dos trens.
O governador Sérgio Cabral (PMDB) classificou como vandalismo a ação dos passageiros. "O que aconteceu foi sem dúvida uma ação de vândalos. Nada justifica o vandalismo. Houve pessoas feridas. A polícia vai investigar o que houve efetivamente ali, até mesmo roubo em bilheteria, uma ação concreta de vândalos, que devem ser punidos", defendeu o governador, que prometeu a compra de mais 60 trens até 2014. "Nada justifica quebra-quebra e roubo."