A Europa dá sinais de que a recuperação da economia dos países ricos será mais lenta que o previsto. Ontem, dados oficiais apontaram que o Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro encolheu 0,2% entre abril e junho. Os dados são piores do que o que o mercado e políticos projetavam e indicam que a recuperação será, na melhor das hipóteses, gradual e lenta.
A própria Comissão Europeia havia previsto uma contração de 0,1%. Grécia, Polônia, Portugal e a República Checa já deixaram a recessão. França e Alemanha já haviam anunciado o fim do tombo. Ainda assim, a contração é a quinta consecutiva em um trimestre.
Apesar do tombo, os dados são bem mais positivos que os números do primeiro trimestre, quando a economia sofreu uma contração de 2,5%. Entre os fatores que ajudaram estão os pacotes bilionários dos governos para tirar as economias da crise, uma retomada leve das exportações e maior consumo interno.
O mercado continua apostando que a União Europeia (UE) voltará a registrar crescimento no terceiro trimestre, que terminou em setembro. Mas a preocupação é que a taxa de desemprego continua a subir e já é a maior em dez anos.
Já o Reino Unido sofreu uma contração de 0,6%. No geral, os 27 países da UE tiveram uma queda de 0,3% em seu PIB, acima dos 0,2% projetados inicialmente. Em comparação com o mesmo período de 2008, a queda é de 4,8%.
A taxa de crescimento ainda deixa o caminho livre para que o Banco Central Europeu (BCE) mantenha os juros em seus níveis mais baixos desde a criação do euro. O BCE se reúne hoje para tomar uma decisão sobre a nova taxa. No início da semana, a Austrália foi o primeiro país do Grupo dos Vinte (G-20) a elevar suas taxas de juros, pouco mais de um ano após a eclosão da crise financeira.
Mas os dados europeus ainda são sombrios. O consumo privado foi revisto para baixo e teve uma alta de apenas 0,1% no segundo trimestre. O desempenho foi melhor que o do primeiro trimestre, quando a queda foi de 0,5%. Mas pior que o mercado havia projetado.
Já os investimentos continuaram a cair em 1,5%, pior que a estimativa inicial, de 1,3%. Mais uma vez a taxa é bem melhor que a queda de 5,4% registrada entre janeiro e março.
As exportações e importações também deram sinais mais positivos que no início do ano. Mas ainda assim estão no vermelho. As exportações caíram 1,5% no segundo trimestre, ante uma queda de 2,9% na importação. No início do ano, a queda das exportações havia sido de 9,2%, ante uma redução nas importações de 7,9%.