ESTADÃO DE HOJE - 22/10/2009 Versão Impressa
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Rock, samba, amor e simplicidade

Com a combinação desses elementos, a banda baiana Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta evolui no segundo álbum

Terça, 22 de Outubro de 2009, 00h00
Lauro Lisboa Garcia

A banda Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta é um nome em ascensão na cena do pop-rock independente baiano. Combinando rock e samba com simplicidade e vigor, eles interpretam uma série de canções - que têm o amor como ponto central - no segundo e evolutivo álbum Frascos Comprimidos Compressas (Gira Independente), produzido por Pedro Sá. Os shows de lançamento em São Paulo são hoje no CB Bar e sábado no CCSP.

A temática amorosa é um tanto batida - só neste semestre saíram dois CDs privilegiando o gênero: um de Ney Matogrosso, outro de Maria Bethânia -, mas Ronei acha que o tema ainda "dá muito pano pra manga". "Sempre escrevi muito baseado em relações, desde a primeira banda que tive", diz o compositor, cantor e guitarrista.

"Essa relação do letrista com a coisa sentimental é muito forte, universal. É um tema que, além de poder ser dito de várias formas, toca muito as pessoas. O grande jogo do artista está em como ele pode trabalhar com isso, sem ficar piegas ou muito óbvio", diz Ronei. Contribui para esse desvio da obviedade as melodias cativantes e imprevisíveis, além do instrumental coeso e elaborado da banda formada em 2003. Ronei é autor de todas as faixas do CD, uma delas (Circule Seu Sangue) em parceria com o outro guitarrista do grupo, Edson Rosa.

Desde que Jorge Ben colocou guitarra no samba, aproximando-o do rock, vieram Tom Zé, Novos Baianos, Luiz Melodia, Jards Macalé, Sérgio Sampaio, Fellini, Paralamas e até Los Hermanos e Numismata (íntima de Ronei e banda), transitando por esse mix livre e indefinido. Com o reforço do guitarrista Juninho, Ronei e os Ladrões - que é formado também por Sérgio Kopinski (baixo) e Maurício Pedrão (bateria) - processam os mesmos elementos sonoros de um jeito próprio.

"Não somos filhos diretos de Novos Baianos, mas eles são referência obrigatória para qualquer um que queira fazer música pop no Brasil, sem se prender a um gênero." Mulheres Que Dizem Sim, banda de Pedro Sá, é uma dessas cujo som, "com característica de música brasileira pop e urbana", interessou aos baianos. Contou ponto também para a escolha de Sá como produtor a sonoridade que ele criou para o álbum Cê (2006), de Caetano Veloso. "Caetano é referência para nós. Ouvimos aquilo e sentimos uma proximidade muito grande com o que a gente queria fazer: música brasileira bem misturada, nada muito puro, com linguagem direta."

Sá estimulou Ronei e os Ladrões a atuarem em estúdio com a mesma garra dos ensaios e shows. Essa espontaneidade transparece no resultado do CD. "E como a gente tinha também uma instrumentação parecida com o Cê, mais seca e sem muita frescura, casou muito."

Salvador tem uma linhagem de rock anterior a Raul Seixas, com Camisa de Vênus, Mar Revolto (que tinha Carlinhos Brown e Luiz Brasil, produtor do primeiro álbum de Ronei e os LdB), Rebeca Matta, Pitty, Retrofoguetes, Cascadura e os Ladrões - cuja baianidade não é explícita, "mas está no DNA" - levando a tocha adiante.

Sobreviver como roqueiro na caldeira da axé music não tem sido fácil, mas hoje Ronei vislumbra melhores dias. As bandas têm melhor nível de profissionalização, o axé se diluiu e há menos conflitos. Afinal, foram dois carnavalescos, Dodô e Osmar, que eletrificaram o cavaquinho, inventando a guitarra baiana há mais de 50 anos.





Serviço
Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta

CB Bar (350 lug.). Rua Brigadeiro Galvão, 871, Barra Funda, 3666-8971. Hoje, 23 h (show à
1 h). R$ 15 e R$ 10 (lista) (lista@cbbar.com.br).


Centro Cultural São Paulo. Sala Adoniran Barbosa (631 lug.). Rua Vergueiro, 1.000, metrô Vergueiro, 3397-4002. Sáb., 19 h. R$ 15 e R$ 7,50