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São Paulo amarga nova decepção

Time perde para o Once Caldas por 2 a 1, de virada, repete placar de 2004 e cai para o 2.º lugar na chave

Terça, 26 de Fevereiro de 2010, 00h00
Giuliander Carpes

O experiente time do São Paulo conhece bem a regra básica da Libertadores: qualquer descuido pode ser fatal. Mas parece que ontem deu um branco na equipe. Deixou de fazer gols, bobeou na defesa e um belo resultado se perdeu totalmente. Após sair na frente, tomou a virada do Once Caldas: 2 a 1.

Algo no ar de Manizales desorienta o São Paulo, que incorreu em erro semelhante ao da traumática semifinal de 2004: descuidou-se quando o adversário começava a se desesperar.

Ontem o time conseguiu aguentar uma pressão inicial e sair na frente do placar. Rogério Ceni calou o Estádio Palogrande numa cobrança de falta em que teve muita estrela: a bola bateu num jogador que estava fora da barreira e enganou o goleiro Martínez. Foi o 88º gol do capitão são-paulino, o 11º na Libertadores - é o maior artilheiro da equipe na competição - que tinha tudo para se recuperar do trauma de 2004.

Mas o fantasma de Manizales voltou a assombrar. Em 2004, o técnico Cuca já escolhia os batedores para a decisão por pênaltis quando o Once Caldas marcou 2 a 1. Ontem o treinador colombiano Juan Carlos Osório, desesperado, havia colocado em campo um quarto atacante, quando uma cobrança equivocada de lateral acionou o estopim de novo tropeço.

Jorge Wagner e Marcelinho perderam uma bola no lado esquerdo e o Once Caldas se aproveitou: Uribe marcou de cabeça o gol de empate aos quatro minutos da segunda etapa, quando a torcida já vaiava a equipe local, apenas a sexta colocada no Campeonato Colombiano, mas agora líder isolada do Grupo 2 da competição.

Mais tarde, Washington perdeu cara a cara com o goleiro uma chance incrível. O castigo veio logo na sequência. Incrivelmente o carrasco estava em campo em 2004: Moreno. Outra vez os são-paulinos perderam uma bola na lateral-esquerda. O atacante colombiano passou fácil demais por Jean e Miranda e decidiu.

De início, Milton Cruz não inventou. Escalou a equipe que Ricardo Gomes - que sofreu uma ruptura de vaso cerebral, mas já teve alta médica e ontem até foi ao Centro de Treinamento da Barra Funda - provavelmente colocaria em campo também: duas linhas de quatro jogadores na defesa e no meio-campo. Cicinho foi posicionado na lateral-direita.

Mas o auxiliar que foi convertido em técnico de uma hora para outra visivelmente ficou perturbado pela virada. Tanto que fez apenas uma alteração na equipe. E não foi para atacar. No desespero, tirou Marcelinho Paraíba e colocou o volante Rodrigo Souto, cuja participação na viagem sequer estava planejada antes do acidente de Ricardo Gomes - o jogador, recuperando-se de lesão muscular, não atuava desde o final do Campeonato Brasileiro, no início de dezembro.

O Once Caldas mantém melhora retrospecto impressionante dentro de casa - em 18 jogos, agora tem 12 vitórias e seis empates - e credencia-se a favorito para conquistar uma vaga na segunda fase. O São Paulo que se cuide. Com a vaga automática nas oitavas para os mexicanos Chivas e San Luis, ambos desclassificados em 2009 por causa da gripe suína, só os seis melhores segundos colocados classificam-se.


ONCE CALDAS 2
SÃO PAULO 1
Gols: Rogério Ceni aos 33 minutos do primeiro tempo; Uribe aos 4 e Moreno aos 27 do segundo.
Once Caldas: Martínez; Vélez, Vizcarrondo, Henríquez e Nuñez; Arias, Valencia e Castrillón (Cárdenas); Santoya (Baena), Uribe (Amaya) e Moreno.
Técnico: Juan Carlos Osório.
São Paulo: Rogério Ceni; Cicinho, Xandão, Miranda e Jorge Wagner; Jean, Richarlyson, Hernanes e Cléber Santana; Marcelinho Paraíba (Rodrigo Souto) e Washington. Técnico: Milton Cruz.
Juiz: Pablo Pozo (CHI).
Cartão amarelo: Henríquez.
Renda e Público: Não divulgado.
Local: Palogrande, em Manizales