O São Paulo teve um quebra-cabeça a sua frente diante do Coritiba. Desfalcado de quatro jogadores - Richarlyson, Junior Cesar, Renato Silva, todos suspensos, e Miranda, com a seleção brasileira -, precisou improvisar praticamente em todos os setores. E não conseguiu resolver o jogo. Apenas empatou por 2 a 2, ontem, no Morumbi, e hoje vai precisar torcer contra o Palmeiras (que, se vencer o Avaí, abre sete pontos de vantagem), se quiser continuar firme na luta pelo título.
"Futebol, às vezes, é injusto", definiu Dagoberto. "Fizemos um belo primeiro tempo, mas tomamos dois gols bobos. Correr atrás é difícil. Uma equipe que busca o título não pode perder pontos desse jeito."
O volante Zé Luis entrou na defesa; convertido em ala, Jean voltou a jogar no meio; e Jorge Wagner fez o caminho inverso. Inúmeras peças, diferentes posições. Quebra-cabeças são jogos de paciência. O Coritiba, de início, tentou se aproveitar de suposto desentrosamento do descaracterizado mandante. Logo, porém, as peças começaram a se encaixar como Ricardo Gomes queria. O argentino Adrián González, que estreava no Morumbi - sua única partida havia sido contra o Sport (vitória por 2 a 1), no Recife - destacava-se em suas subidas pela direita em boa sintonia com o companheiro Dagoberto.
Quebra-cabeças também surpreendem. O técnico imagina certas alternativas, as testa, mas é raro que elas se encaixem na primeira tentativa. Até que surge aquela peça que desvenda todos os caminhos. O São Paulo insistia com o ala da direita, perigoso, no entanto, sem muito sucesso. Até que Hernanes roubou uma bola da defesa, entrou na área e chutou forte para marcar, aos 23 minutos, o primeiro gol. A solução estava diante dos olhos de todos.
Nesses momentos, é preciso atenção. Qualquer descuido e o que estava montado se desfaz. Dito e feito. No fim do primeiro tempo, aos 37 minutos, Carlinhos Paraíba chutou de fora da área, Rogério defendeu e, no rebote, Renatinho empatou. Cinco minutos mais tarde, um escanteio cobrado por Marcelinho Paraíba parou no fundo da rede: gol olímpico, com falha da defesa e Rogério. Dois deslizes, 2 a 1 para o Coritiba, de virada.
Na segunda etapa, à frente no placar, o Coritiba quis tocar bola, tentar se aproveitar do desespero adversário. Logo o plano também se mostraria ineficaz. Ricardo Gomes perdeu o zagueiro André Dias, com um entorse no joelho, e colocou o meia-atacante Oscar. Depois fez a troca básica de Borges por Washington. Novas peças, outro jogo? Não. O centroavante pegou um rebote do goleiro e empatou, mas Marcos Aurélio ainda acertou a trave no final. Poderia ter sido pior. "Paramos de jogar quando não podíamos", lamentou Hernanes. Foi um passo para trás na luta pelo título.