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Senado aprova acordo com Vaticano

Texto, que prevê ensino religioso facultativo nas escolas públicas, entra em vigor assim que for promulgado

Terça, 08 de Outubro de 2009, 00h00
Rosa Costa, BRASÍLIA

Sem a polêmica que marcou sua passagem pela Câmara, o acordo que trata das relações entre Brasil e o Estado Vaticano foi aprovado ontem pelo Senado. O texto com 20 artigos entra em vigor logo que for promulgado pelo presidentes das duas Casas, Michel Temer (Câmara) e José Sarney (Senado).

A votação no plenário ocorreu horas depois de a Comissão de Relações Exteriores do Senado aprovar, por unanimidade, o parecer do relator Fernando Collor (PTB-AL). No texto, ele destacou os dois pontos do projeto mais criticados pela bancada evangélica: a menção ao ensino religioso facultativo nas escolas públicas e a possibilidade de aplicação de sentenças eclesiásticas em matéria matrimonial.

O senador disse que o item da proposta sobre religião é basicamente o mesmo do parágrafo primeiro do artigo 210 da Constituição. O acordo prevê que o "ensino religioso católico e de outras confissões religiosas, de matrícula facultativa, constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, assegurando o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil". Collor afirmou que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação "interpreta" bem a determinação.

Com relação ao casamento, o relator rebateu a afirmação de que se trata de uma imposição de obrigações a não-católicos. "O acordo apenas permite, mas não obriga, que os católicos, casados na igreja católica, recorram aos tribunais eclesiásticos para os assuntos da sua competência".

Em nome do PSDB, o líder Arthur Virgílio (AM) afirmou, no plenário, que o acordo "não tem nenhum ponto nevrálgico". "A ideia da liberdade religiosa está presente e quanto maior for a opção do cidadão, mais democrático será o País."

O líder do DEM, José Agripino (RN), disse não entender a polêmica em torno da aprovação. "Não se trata de uma questão religiosa nem de privilégios para a religião católica." Para o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), o texto formaliza a "relação profundamente importante para a cultura e para o Brasil de uma maneira geral".

No parecer, Collor lembrou que o Vaticano celebrou acordos com Estados de religiões distintas da católica, como Marrocos e Israel.