ESTADÃO DE HOJE - 08/10/2009 Versão Impressa
Ver Mais »

Voluntários salvam mulher em via alagada

Grupo usou uma corda para puxar motociclista que estava sendo [br]levada pelas águas em avenida de São José do Rio Preto que inundou

Terça, 08 de Outubro de 2009, 00h00
Chico Siqueira, ARAÇATUBA

Uma forte chuva de 20 minutos foi o suficiente para causar desespero e medo nos moradores de São José do Rio Preto, a 430 km de São Paulo, na tarde de ontem. A enchente inundou as principais avenidas da cidade, arrastou dezenas de carros e deixou pessoas ilhadas - oito foram retiradas de dentro de veículos nas operações de salvamento do Corpo de Bombeiros.

Outras pessoas foram salvas por voluntários. Foi o drama vivido por Gisele Cristina Nunes, de 30 anos. Sua moto parou no meio da Avenida Alberto Andaló, a principal da cidade, que praticamente se transformou num rio. Gisele encostou sua moto em um carro, tentando se segurar para não ser arrastada. Voluntários tentaram resgatá-la com uma corda, mas Gisele afundou na água. Por dois minutos, ficou debaixo d"água.

Ao mesmo tempo, num carro ao lado, a advogada Regiane Lima Cardoso entrou em pânico ao presenciar a cena e subiu no teto do seu veículo, na tentativa de se agarrar a outro voluntário. Foi quando Gisele conseguiu ser avistada. Por sorte, ela tinha se segurado na corda enquanto estava debaixo do carro, sob a correnteza. Quando viram Gisele, os rapazes que tentavam salvá-la procuraram agarrá-la, mas acabaram todos afundando também. Eles conseguiram se segurar em outro carro e sair da correnteza. Gisele foi socorrida no Pronto-Atendimento Central, com escoriações, e foi liberada.

Em outro ponto da mesma avenida, drama semelhante era vivido pela dona de casa Andréia Aparecida Bardella. Acompanhada por dois filhos, de 1 ano e 6 meses e de 8 anos, ficou ilhada no centro da avenida com o irmão, que dirigia um Ford Escort. Novamente graças ao auxílio de voluntários, que estavam num prédio residencial das proximidades, eles foram salvos.

De acordo com o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar, 24 veículos foram arrastados pela correnteza que se formou em vários pontos das Avenidas Andaló, Murchid Homsi, Bady Bassit e Brasil Lusa. A chuva teve início às 14 horas.

De acordo com o tenente José Luís Ferrari, a rapidez com que a água subiu impediu que os bombeiros e a PM realizassem um plano de emergência que é colocado em prática quando o tempo fica nublado. "Nem a Defesa Civil, nem o radar da Unesp, nada previa essa chuva", disse Ferrari. O plano prevê a interdição dos trechos de alagamentos dessas avenidas, mas ontem não houve tempo para isso.

BELO HORIZONTE

A tempestade que caiu sobre Belo Horizonte no início da noite de ontem provocou estragos em vários bairros. O Rio Arrudas, que corta a região central, ficou cinco metros acima do nível normal. O centro e a Savassi foram as regiões mais afetadas. Lojas foram alagadas, sinais de trânsito quebraram nos principais cruzamentos e vários bairros ficaram sem energia. No Anel Rodoviário, houve ao menos um acidente: o tombamento de uma carreta.

Na terça-feira, o temporal provocou a morte de pelo menos um morador, um homem de 45 anos que foi arrastado pelas águas de um córrego no Bairro Buritis, na zona sudoeste de Belo Horizonte. Outra pessoa, também levada pelas águas, ainda estava desaparecida até a tarde de ontem.

De acordo com a Defesa Civil, inúmeras ocorrências foram registradas na terça-feira, como quedas de árvores e destelhamentos.

COLABOROU IVANA MOREIRA