ESTADÃO DE HOJE - 07/11/2009 Versão Impressa
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Yamandu e Hamilton, alheios ao previsível

Mais que o conhecido domínio técnico, dupla revela suas belas composições

Terça, 07 de Novembro de 2009, 00h00

Tornou-se carta marcada a crítica classificar encontros de Yamandu Costa e Hamilton de Holanda como duelos entre dois virtuosos. Dispensando todas as previsões rasteiras, violonista e bandolinista mostram um amadurecimento cada vez maior. O resultado salta aos ouvidos nitidamente no disco Luz da Aurora, que a dupla lança neste final de semana, no Teatro Fecap, em São Paulo.

O álbum foi gravado em janeiro do ano passado, no Auditório Ibirapuera, ao vivo, em três noites. Assim como naquela ocasião, eles prometem para as apresentações de sábado e domingo shows completamente diferentes do que foi registrado no CD. Tudo se justifica pelo fato do repertório - e do estilo de Yamandu e Hamilton - jogar constantemente com improvisos e arranjos espontâneos, livres de amarras e convenções. "A gente tem a técnica por um motivo só, pra que a gente consiga passar tudo que está na cabeça e no coração para os dedos", diz Hamilton.

O disco também é mais uma oportunidade para que o público, que já via a dupla como exímios instrumentistas, passe a encará-los também como compositores de respeito. A qualidade das criações do violonista e do bandolinista, que já dava sinais positivos nos trabalhos individuais dos dois, acentuou-se neste álbum, revelando belas composições. Exemplo disso são Samba pro Rapha, feita por Yamandu em homenagem a Raphael Rabello, e três parcerias entre bandolinista e violonista: Samba do Véio, tributo ao ex-presidente do Clube do Choro de Brasília, o doutor Six, Cochichado, uma brincadeira de contrapontos de Yamandu e Hamilton sobre a harmonia de Cochichando, de Pixinguinha, e Luz da Aurora, valsa emotiva e dolente que batiza o disco. "Quando você cria seu universo de composição, que é a grande alforria do músico, você pode tudo", diz Yamandu. "A gente não pensa em compor assim ou assado, e não se preocupa muito com o ontem, o hoje e o amanhã. É como se a gente tivesse os pés no passado, o coração no presente e a cabeça no futuro", completa Hamilton, sentado ao lado do violonista.

Nos shows, a dupla tocará Escorregando, de Ernesto Nazareth, também regravada no disco Luz da Aurora.

Serviço

Yamandu Costa e Hamilton de Holanda. Teatro Fecap. Av. Liberdade, 532, tel. 2626-0929. Sáb., 21 h; dom., 19 h. R$ 20